Os erros mais comuns de prática clínica desportiva

nutrição desportiva

Antes de desenvolver esse artigo, me ensaiei inúmeras vezes. Simplesmente porque pode parecer petulância minha achar que tenho conhecimento de prática já suficiente para dizer quais seriam as diretrizes corretas da prática clínica desportiva. No entanto, gostaria de deixar claro ao leitor que o estudante de nutrição me procura muito. Seja no final de palestras, por facebook, por email, e por consultas (eles sempre chegam com listinha de perguntas antes de começar a falar da dieta deles propriamente dita).

Fiz esse artigo porque antes de tudo, quando se trata de nutrição, sou muito observador para não deixar a minha opinião pessoal sobrepor ao que a ciência trás como verdade (e a verdade, em cada área da ciência que está sendo descoberta de pouco a pouco). Faço esse artigo com base no que as pessoas que estão vindo de outros nutricionistas reclamam para mim. Embora todos os profissionais cujo labor se resume em prática clínica (inclusive eu) possam tirar proveito desse artigo, esse artigo é destinado principalmente ao estudante de nutrição. Aquele que já enxerga um horizonte próximo de graduação e que está sedento por abrir seu consultório e atender as pessoas. Espero que você aproveite o artigo. Boa leitura.

ERRO NÚMERO 1: NÃO OUVIR O CLIENTE

“Não que as pessoas não saibam cantar. Elas não sabem ouvir a música como ela realmente é”, certa vez um músico me disse quando falei que tocava violão mas era péssimo cantor. Ele me deu essa deixa e eu nunca mais esqueci. O mesmo vale para nós que clinicamos, pois as vezes temos uma imagem mental antes de fechar o diagnóstico. O sujeito entra na sua sala, com o percentual de gordura acima dos 12% e isso te incomoda mais do que incomoda a ele. Então você o que faz? Atropela ele e diz “você tem que secar”. Certa vez recebi uma pessoa que dizia “Olha eu fui em uma nutricionista mas ela queria que eu emagrecesse.

Mas não era isso que eu queria. Eu queria pegar pesado, fazer powerlifting , eu gosto de comer e estou bem resolvido com as minhas gordurinhas”. Nessa frase o cliente deixa claro que o profissional não tinha escutado ele. Bom, eu angariei mais um cliente, e o outro profissional perdeu mais um cliente e isso não quer dizer que eu estivesse sendo relapso com a saúde dele pois a primeira coisa que eu pedi foi uma bateria de exames para verificar se internamente , pelo menos num primeiro momento através dos indicadores bioquímicos, tudo estava ótimo.

ERRO NUMERO 2: OUVIR O CLIENTE MAS ENQUADRA-LO EM UM RÓTULO

Bom, quem gosta de clinicar como eu gosto, já deve ter percebido que as pessoas são muito complexas e que cada caso é um caso. Existe aquela pessoa que vem até você e fala “eu não gosto de exercício, estou indo fazer isso porque minha mulher me insistiu pra vir aqui”. Tem outros, porém que já chegam se alongando no seu consultório. Somos seres semelhantes mas que dentro dessas semelhanças possuímos uma ampla gama de diferenças. Digamos que você não precisa do conselho numero 1 citado acima, mas mesmo escutando seu cliente, lendo corretamente seu biótipo você ainda insista que ele precisa ter um físico x ou y e comece a tentar fazer isso na consulta.

A nutrição esportiva não pode seguir os ditames da estética. A nutrição esportiva tem que seguir os ditames da ciência! Nutrição esportiva hoje virou sinônimo de musculação e nutrição, estética e nutrição. Que pena. Se o seu cliente é um jogador de vôlei e não te procurou por insatisfação estética, não tente colocar nele essa insatisfação . Se ele é um fundista e só quer melhorar a acidose, não tente abaixar o percentual dele cortando carboidratos porque ele vai procurar outro nutricionista!

ERRO NUMERO 3: NÃO REALIZAR AVALIAÇÃO FÍSICA

Parece mentira, mas ainda existem profissionais que simplesmente pedem para seu cliente subir na balança e isso já basta. Não estou exagerando se disser que tem profissional que sequer pede para o cliente subir na balança. Quando alguém vem de outro profissional e me conta que este não fazia uma antropometria ou bioimpedância (em aparelhos de confiança) eu costumo brincar : “de onde ele tirou então os cálculos dos macronutrientes? Psicografou uma dieta?”.

ERRO NUMERO 4: PASSAR UMA DIETA É DIFERENTE DE PRESCREVER UMA DIETA

Só que geralmente esse profissional que não faz avaliação ele nem mesmo calcula as coisas. Ele deve olhar para a pessoa e pensar “Bom … vai no chute mesmo, tenho aqui uma dieta de 1200 kcal vou imprimir e dar pra ela” . Isso é a pior coisa que um nutri pode fazer. Alguns médicos irresponsáveis agem assim. Alguns educadores físicos (a minoria , diga-se de passagem) ainda agem assim, e por mim, tudo bem. Não posso nem dizer que essas pessoas fazem “exercício ilegal da profissão” porque a minha profissão não é essa. E o cliente deles tem o profissional que merece, me desculpe a rispidez. Então eu só lamento.

Agora, uma pessoa procurar um nutricionista pra que ele, o único profissional que por lei pode calcular nutrientes e prescrever dieta, enviar uma dieta-padrão, é lastimável. Nunca faça isso, não malbarateie seu diploma dessa forma. Então prescreva a dieta. Calcule, seja qual for o método, quantas calorias, carboidratos, que você vai prescrever porque depois, na próxima consulta você vai saber ou não o que aconteceu. Deixe para que outra pessoa “passe” uma dieta pronta. Você, nutricionista, não!

Por: Nutricionista Ney Felipe Fernandes CRN/PR 84085
Instagram: @neyfelipef
Site: http://nutricaoavancada.com.br/
Email: [email protected]


*A responsabilidade pelo texto é do (a) autor (a) e não representa a opinião da empresa. O blog é receptivo a contrapontos de outros profissionais.

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